Creio que, com o tempo, merecemos que não haja governos [Borges]

Carlos Bessa

Mito, Lisboa, & etc, 2001

Num lirismo tenso, próprio de quem remexe em dores e humilhações passadas e se predispões ao pathos que sobrevem da “babugem dos dias que se esmagam uns aos outros”. (…) Não a poética do alindamento, da falsa literatura, mas a que dentro de uma postura ética de atenção e observação ao outro, ao que o rodeia, ao lugar onde vive, recolhe dos dias o que estes têm para dar, seja a humilhação, a angústia, seja a liberdade, o resistir (essas margens da alegria). (…) E são grandiosos os versos que dão conta de “correrias tardes inteiras mesmo até à entrada da noite”, remetendo-nos para Céline, autor com, muito a propósito, inicia Manuel de Freitas o seu prefácio.

Carlos Bessa, jornal Ultravioleta, 1 de Fevereiro de 2002 (sobre Mito, Lisboa, & etc, 2001)