Creio que, com o tempo, merecemos que não haja governos [Borges]

ESPECTÁCULOS

»» Espectáculos realizados com textos de Carlos Alberto Machado (ou em colaboração) ««

HAMLET & OFELIA

Produção: Teatro Passagem de Nível

Criação e Interpretação: Mónica Lourenço e Ricardo Mendes

Auditório de Alfornelos, 4 de Novembro de 2011.

A FELICIDADE IDEAL

Produção: Curso Profissional de Artes do Espectáculo-Interpretação, do Conservatório-Escola das Artes da Madeira (Prova de Aptidão Profissional )

Encenação e interpretação: Vitor Gonçalves

Estreia: Centro das Artes – Casa das Mudas, Funchal, dia 14 de Julho de 2011

E NÓS AQUI NO MEIO DE NÃO SABER NADA

em colaboração (Horta, 26 a 30 de Novembro de 2008)

Produção: Teatro de Giz

Encenação: Tiago Porteiro

AQUITANTA

(Estúdio Zero (Porto), 24 de Julho de 2007)

Co-Produção: Academia Contemporânea do Espectáculo/As Boas Raparigas Vão para o Céu as Más para todo o Lado

Encenação, espaço cénico e adereços: João de Castro

Elenco: Cátia Gomes, Silvana Brochado

Figurinos: Paula Graça

Desenho de luz: Rui Monteiro e Diana Pimenta

FICAVA TÃO BEM NAQUELE CANTO DA SALA

(Alfornelos, 29 Julho de 2005)

Produção: Espaço Evoé

OS NOMES QUE FALTAM

(Alfornelos, 17 de Junho de 2005)

Produção: Grupo SindicActo

Encenação: João de Carvalho

Elenco: Alexa Meireles, Ana Luísa Antunes, Catarina Oliveira, Martim Mariano, Nuno Ribeiro, Ricardo Diogo e Rita Pinheiro.

Música ao vivo: Carla Costa, Nuno Cabecinha, Frederico Furtado e Xico.

O nosso Mundo é um grande espaço na Terra: o Mundo e a Casa. Um Mundo antigo, marcado pela errância do Tempo. Neste Mundo não há Noite, a Luz é forte e imensa.

Desejo de Lua.
Sofremos com o Frio, com o Calor, com as suas ausências ou os seus excessos.
Desejo de Harmonia.
Temos Caminhos que não sabemos percorrer e voltamos sempre a este Mundo.
Desejo de Paz.
Temos Sede, temos Fome.
Desejo de Água e de Frutos maduros.
Somos Vozes e contamos Histórias.
Somos poucos e sonhamos com uma Terra sem Mal.

RESTOS. INTERIORES

(Filarmónica Liberdade Lajense – Lajes do Pico -, 29 de Maio de 2005)

Produção: CEPiA (Centro de Estudos Performativos e Artísticos)

Encenação: Tiago de Faria

Elenco: Amélia Xavier, Ana Matos, Andreia Silva, Dolores Alves, Idalina Ribeiro, Lorena Baptista, Maria Adelina, Maria de Jesus Fontes, Matilde Soares, Susana Teixeira

AVENTURAS EXTRAORDINÁRIAS DO PRÍNCIPE E DO CASTOR

(Coimbra, 14 de Janeiro de 2004)

Produção: CITAC

Encenação: Tiago de Faria

FICAVA TÃO BEM NAQUELE CANTO DA SALA

(Sintra, 23 de Maio de 2003)

Produção: Grupo de Teatro Ensaio (Associação de Professores de Sintra)

HAMLET & OFÉLIA

(Almada, 16 de Abril de 2003)

Produção: Companhia de Teatro de Almada

Encenação e Cenografia: Joana Fartaria

 Conheço há muitos anos o Hamlet e a Ofélia. Estes ou outros. Sempre diferentes na sua fuga pelo mundo. Morrendo e ressuscitando sempre. A primeira vez que os encontrei foi em África. Bissau. Mercado a céu aberto do Bandim. Ele esgaravatava dos bolsos uma decrépita nota de franco para um quarto de uma Sagres escaldante. Ela à beira da estrada mijava sangue. E os seus olhos pediam a compaixão de uma morte breve. Mais tarde, Lisboa. Pensão Paraíso (“Banhos Quentes e Frios”). Ofereceram-me os seus corpos esvaziados em troca do que eu quisesse. Encontrei-os ainda no Kosovo. Klina. Brigada portuguesa. A guerra tirara um braço a Hamlet. A Ofélia a cor da pele. Nada tinham que servisse de moeda de troca. A última vez foi em Nova Iorque. Foram eles que comandaram a destruição das Twin Towers. Foi essa a história que me quiseram vender e que eu não comprei. Preferi ser eu a inventar-lhes uma outra vida. A troco de nada.

FICAVA TÃO BEM NAQUELE CANTO DA SALA

(Lisboa, 3 de Janeiro de 2002)

Produção: Há Cultura

Encenação: João Ricardo

Pai: É pena ela ter feito ali a forca.
Mãe: Pois é.
Pai: Quase em cima da árvore.
Mãe: Sabes, a porta da dispensa…
Pai: Pois é, ali é mais alto.
Mãe: Está certo.
Pai: É o sítio melhor.
Mãe: Mais eficaz.
Pai: Maior segurança.
Mãe: É pena a árvore.
Pai: O sítio, queres tu dizer.
Mãe: Sim, isso.
Pai: Um pouco mais para o lado, enfim…
Mãe: São coisas que não se podem saber.
Pai: É pena.
Mãe: Só Deus sabe.
Pai: Cristo sofreu por nós.
Mãe: Resignação.
Pai: E fé.
Mãe: Tudo se há-de compor.
Pai: A morte de alguém é uma vida nova para os que ficam.
Mãe: Deus seja louvado.

OS NOMES QUE FALTAM

(Évora, 14 de Maio de 2002 / Beja, 3 de Julho de 2002)

Produção: GATUÉ – Grupo Académico de Teatro da Universidade de Évora

Encenação: Tiago de Faria

Camu: Andamos em círculos.
Rote:É este tempo que nos enrola.
Nube: Alguém lhe pegou pela ponta e agora é só puxar.
Meli:O tempo não é um pião.
Nora:Não?
Meli:Não. É uma teia esquisita, cada um de nós a puxar uma ponta e a aranha a sufocar, a expelir veneno, devagarinho.
Laer:É tudo tão estranho, tão difícil…
Nora: Estamos enterrados vivos.
Blur: Qual foi o Sacrilégio que cometemos?
Rote: Qual foi o desafio que lançámos à Cidade?
Camu:São apenas perguntas. E inúteis. Nenhum deus, nenhum tirano nos poderesponder.
Nora: É por isso que nos calamos sempre.

VERTIGEM

(Palmela, 15 de Novembro de 2001)

Produção: Teatro o bando

Encenação e dramaturgia: João Brites

A MORTOS E VIVOS – OS NOMES QUE FALTAM

(Oeiras, 15 de Fevereiro de 2001)

Dramaturgia, Encenação e Produção: Joana Fartaria

POUCO A POUCO A SOMBRA

(Amadora, 18 de Fevereiro e 24 de Março de 2000)

Escola Superior de Teatro e Cinema (ESTC)

Exercício da Oficina de trabalho sobre a consciência do actor, dirigida por João Brites, a partir da novela homónima (inédita).

»» Performance/encenação de espectáculos realizados por Carlos Alberto Machado

ESCRITA NA PAISAGEM

Évora, 30 de Setembro de 2004: Conferência-performance intitulada A paisagem, num dia algo nublado, vista com óculos de sol com lentes polarizadas (com Nuno Morão), integrada no Festival Escrita na Paisagem

Ver as vistas num dia algo nublado.

Sem guia turístico e sem mapa.

Sem pontos cardeais.

Sem máquinas registadoras.

Sem o seu café de bairro urbano.

Com óculos de sol com lentes polarizadas.

Guia improvável.

SALADA CÓMICA

Textos: Karl Valentin. Estreia: 26 de Março de 2004

Local: Salão da Silveira (Lajes do Pico)

Produção: Muitieramá

Encenação, cenografia e figurinos: Carlos Alberto Machado

AQUITANTA

Texto: Carlos Alberto Machado. Estreia: 14 de Fevereiro de 2003

Local: Palco Oriental (Lisboa)

Co-Produção: Palco Oriental / Carlos Alberto Machado

Encenação: Carlos Alberto Machado

Interpretação: Solange F.

Cenografia, vídeo e figurinos: Rita Ventura

Corpo e movimento: Sandra Rosado

Assistência literária: Manuel de Freitas

Produção vídeo: André Magalhães

Fotografia: Ana Palma

Só acreditamos naqueles pensamentos que foram concebidos,
não no cérebro mas em todo o corpo.
W. B. Yeats
Esta é a parte mais difícil do teatro: falar do teatro.
Pensei em virtuosismo e convenção exterior; e em verdade interior.
Quis que tudo fosse material, físico – como pedras. E ouvir o ruído da sua fricção. Calor. Energia.
Cores. E imagens moventes.
É difícil estar dos dois lados das palavras.
No sítio onde o teatro acontece há uma vida sem fim – ou que só deixa de ser quando a outra, maior, cessa.
Quis criar teatro – não um espectáculo.
Continuo a gostar de incenso, de velas escarlates, de laranjas, de uma toalha quente para cobrir o corpo que esfria…

RESTOS. INTERIORES

Texto: Carlos Alberto Machado. Estreia: 26 de Julho de 2002

Local: Escombro de um prédio na Travessa do Arrebalde (Palmela)

Co-produção: Carlos Alberto Machado/FIAR

Encenação: Carlos Alberto Machado

… e depois esquecermo-nos de comer e corrermos para debaixo da laranjeira no quintal onde me tiras lentamente a roupa enquanto dizes palavras bonitas que eu não entendo e depois beijas-me e mordes-me o peito e eu já quase a enlouquecer mas o teu ritual ainda está no começo ainda há tanto corpo para beijar como se o meu corpo se multiplicasse e em cada corpo pudesse sempre e sempre descobrir mil maneiras diferentes de subir aos céus e eu também te beijo e te mordo e digo coisas que antes não sabia e sinto o teu sexo a arder cada vez mais desejoso do meu e o meu do teu e depois beijo-o e tu beijas o meu e a terra porosa aquece-nos ainda mais o sangue e depois entras em mim e dançamos dançamos e depois puxo-te ainda mais já não aguento não e tu queres também mas a morte pode ser já e não queremos só mais um pouco gritamos e depois a laranjeira estremece e voltam ao meu corpo todos os corpos e o teu brilha brilha como os anjos e depois comemos as laranjas caídas e cantas e eu pergunto porquê e tu dizes é só para me lembrar de como alimento o teu corpo e algo mais e obrigada pela laranja digo eu.

Restos. Interiores, Carlos Alberto Machado/FIAR (2002)

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